Oldboy – Dias de Vingança (remake) [2013]

Capa - Oldboy [2013]

Não é surpresa para ninguém que Hollywood adora fazer versões de filmes internacionais de sucesso, seja de crítica ou de público. Também não é novidade que muitas dessas versões são bastante aquém das originais (para não dizer a imensa maioria). Uma, no entanto, me despertou o interesse desde seu anúncio e por dois motivos muito simples: seria uma refilmagem do excelente Oldboy (veja meu texto sobre ele aqui) e seria dirigida por Spike Lee, um diretor talentoso, um tanto polêmico e bastante engajado em causas políticas, especialmente àquelas vinculadas ao movimento negro. Parecia-me, portanto, que tê-lo no comando poderia adicionar ao filme elementos novos e estimulantes e, desse modo, tornar a obra hollywoodiana não uma mera repetição de sua contraparte oriental, mas um filme que pudesse “andar com suas próprias pernas”.

Trailer

Após alguns meses de seu lançamento e da frustração de não conseguir ir ao cinema, enfim consegui assisti-lo… E o filme começa bem, com um Josh Brolin muito competente em caracterizar um personagem inescrupuloso. Só que, conforme o filme ia avançando, para a minha apreensão, nada de novo surgia. Onde estariam os toques revigorantes que eu esperava de Lee? Não existem! Não existem em absoluto! Talvez uma violência gráfica um pouco maior, mas morre por aí… E pior que isso, o remake não só não trás nada de novo, como consegue adicionar cá ou lá algum problema inexistente na obra original. Ora, o mínimo que se espera de uma obra adaptada é que tenha um roteiro redondo, afinal parte de toda uma gama de experiências, erros e acertos da versão original e, portanto, navega por mares já navegados. Falhas nessas circunstâncias são muito mais graves e o filme de Lee tem algumas delas. A principal, a meu ver, é o final. Spike Lee optou por alterar o desenlace original. Não acho isso necessariamente ruim, desde que se tivesse trocado por um final tão impactante quanto o da obra de origem. Mas não foi o que aconteceu… Pelo contrário, o desfecho é bem sem sal.

Enfim, eu até me diverti assistindo ao filme, mas não fiquei aturdido como quando vi o filme coreano. Fosse uma obra original, o filme de Lee poderia ter sido melhor recebido, mas sendo uma refilmagem e apresentando falhas inexistentes no longa que serviu como base, é inevitável avaliá-lo de forma muito mais rigorosa. E, nesse caso, o que sobra é isso mesmo: um filme apenas “ok”.

Nota: 6.0 (entenda a nota)

Ficha técnica:

  • Título original: Oldboy
  • Ano de lançamento: 2013
  • Diretor: Spike Lee
  • Elenco: Josh Brolin, Elizabeth Olsen, Sharlto Copley, Samuel L. Jackson, Michael Imperioli

Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo [2010]

Prince of Persia poster

Escolhi falar desse filme pelo simples fato de ter sido o último que assisti. Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo é uma produção hollywoodiana dos estúdios Disney. Lançado em 2010, o filme é baseado em um jogo de computador e videogames homônimo, de 2003, que por sua vez, é uma recriação de um ainda mais antigo, de 1989 (que – adivinhem! – também se chamava Prince of Persia). Apesar desse fato, as semelhanças entre o jogo de 2003 e o filme são restritas, isso porque o longa-metragem recebeu um roteiro original.

Sands of Time 2003 cover Prince of Persia 1989 cover
Imagens: Capa dos jogos. À esquerda, Prince of Persia: Sands of Time, de 2003. À direita, o primeiro Prince of Persia, de 1989.

O filme tem tudo que se pode esperar de uma produção de Hollywood: bons figurinos, efeitos especiais bem executados, cenas de ação dinâmicas… As atuações são apenas ok e o enredo, claro, não é o dos melhores. Mas o filme não é ruim e eu até consegui me divertir assistindo-o. Parece-me que Príncipe da Pérsia é uma clara evolução nas adaptações para a telona dos jogos de videogame.

A história do filme acompanha Dastan (Jake Gyllenhaal), um menino órfão de ambos os pais que cresceu na periferia de Nasaf, na Pérsia. Apesar da infância difícil, Dastan teve sua vida completamente alterada após ser adotado pelo rei, depois que este presenciou um ato de coragem e justiça realizado pelo órfão. Somos então transportados para um acampamento do exército persa nas imediações de Alamut, quinze anos depois dos eventos iniciais do filme. A cúpula do exército persa, comandada por Tus (Richard Coyle), “irmão” de Dastan e príncipe herdeiro do império, discute informações obtidas de espiões: a bela cidade estaria produzindo armas de grande qualidade técnica e vendendo-as para inimigos da Pérsia. Apesar de o exército ter se deslocado até ali apenas para derrotar um general inimigo, as novas informações alteram os planos iniciais. O exército atacará Alamut para neutralizar a ameaça oferecida pela cidade.

Enquanto isso, Tamira (Gemma Arterton), a bela princesa de Alamut, percebendo as intenções persas, começa preparativos para defender a cidade. Todavia, ao invés de se preocupar com as muralhas e portões, Tamira volta suas atenções para algo misterioso, com feições místicas, que fica no interior da cidade (só saberemos exatamente o que é com o decorrer do filme). O ataque acontece e conta com a participação decisiva de Dastan que com suas acrobacias consegue praticamente sozinho abrir um dos portões da cidade. A vitória dispara uma série de clichês que vão conduzir o resto do enredo: traições, busca de poder, inimigos que viram amigos, histórias de amor entre antagonistas, jornada para salvar o mundo de um cataclismo, enfim, elementos frequentemente vistos em blockbusters.

Não me estenderei mais para não estragar a graça de se assistir o filme. Mas digo que mesmo que o enredo seja rasteiro, o filme tem suas qualidades e serve muito bem para se divertir num sábado à tarde. É claro que o filme pouco explora do que foi a Pérsia e acaba recorrendo a diversos lugares-comuns, então não o assista querendo ver nada mais profundo. Desligue o cérebro e divirta-se.

Nota: 5.0 (entenda a nota)

Ficha técnica:

  • Título original: Prince of Persia: The Sands of Time
  • Ano de lançamento: 2010
  • Diretor: Mike Newell
  • Elenco: Jake Gyllenhaal, Ben Kingsley, Gemma Arterton, Alfred Molina