O País das Neves

O País das Neves [Capa]

Rufem os tambores. Ascendam os fogos de artifício. Preparem um banquete… Finalmente, depois de longa data, enfim o Japão aparece nesse espaço! Devo admitir certa surpresa – e quem me conhece provavelmente compartilhará meu espanto – por esse fato. E o motivo é um tanto simples: embora eu admire o Oriente como um todo, o Japão é, inegavelmente, o país pelo qual eu projete minhas atenções com mais ardor. Frente a isso hão de concordar que é um tanto estranho essa demora que, reconheço, não sei dizer o motivo. Em compensação, se meus planos forem seguidos à risca, essa longa espera será mais que compensada nas próximas semanas… Sem mais delongas, vamos ao tópico de hoje!

Sou grande fã da literatura japonesa e adoro um punhado de autores do país do sol nascente. O que inaugurará o Japão aqui no blog, no entanto, não foi escolhido simplesmente por eu apreciar sua obra – embora de fato eu seja grande fã. O motivo da escolha é um tanto mais pragmático e se baseia exclusivamente no fato de que ele obtivera amplo reconhecimento internacional e, consequentemente, tenha sido o primeiro escritor japonês laureado com o Prêmio Nobel de Literatura (em 1968): apresento-lhes Kawabata Yasunari!

Kawabata é um daqueles autores que sabem colocar as palavras com tamanha maestria que a simples encadeação delas é capaz de levar o leitor ao gozo profundo. Dono de uma escrita “lírica” que foi considerada pela Academia Sueca de “grande sensibilidade” e a expressão “[d]a essência da mente japonesa”, tenho a impressão que Kawabata consegue provocar com a prosa o mesmo enlevo da poesia. Nesse aspecto, é quase ponto pacífico que O País das Neves seja sua obra-prima.

A obra é uma novela originalmente serializada entre os anos de 1935 e 1937 e que chegou ao Ocidente pelas mãos do estudioso da literatura japonesa, Edward Seidensticker, em sua tradução para a língua inglesa em meados da década de 1950. Lembro-me de uma vez, numa discussão em aula, um colega chegou a dizer que na primeira vez que tinha lido O País das Neves, ao chegar ao fim do livro, não conseguiu captar exatamente qual era seu enredo. Por mais absurdo que posso parecer esta assertiva, a impressão de meu colega não me parece estar de todo equivocada. Não que o livro não tenha enredo. É claro que tem! Mas, especialmente para nós Ocidentais, acostumados com um tipo de trama, O País das Neves pode causar certo estranhamento numa primeira leitura. Mais do que uma história que evolui paulatinamente até o ápice e seu desenlace, O País das Neves é um livro calcado em sensações, cores, sons, cheiros… uma experiência inteiramente sinestésica! Não foram poucas vezes que, em meio a uma cena aparentemente banal, me vi pululado por uma profusão de sensações indescritíveis! Arrisco-me a dizer que O País das Neves é um livro que mais apreendemos do que entendemos. Apesar disso – ou mais apropriado dizer, justamente por isso –, a leitura não é exatamente fácil. Ser capaz de captar todas as camadas de sentidos proposta por Kawabata é tarefa para um leitor maduro. A despeito disso, acho a leitura agradabilíssima e estou certo que O País das Neves é um daqueles livros que precisamos voltar a eles algumas vezes durante nossas vidas e nos deliciarmos com toda uma miríade de novas experiências.

Nota: 9.5 (entenda a nota)

Ficha técnica:

  • Título original: 雪国 (Yukiguni)
  • Autor: Kawabata Yasunari (川端康成)
  • Tradutora: Neide Hissae Nagae (tradução direto do japonês)
  • Edição brasileira: Estação Liberdade, 2004
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